
As discussões que estão sendo criadas em torno da proteção ao patrimônio imaterial é muito positiva porque a atividade turística novamente beneficia-se deste olhar “preservacionista” por parte de diversas instituições, e o Turismo com Base no Legado Cultural começa a figurar como outra alternativa dentro das atividades do Turismo Cultural. Para defini-lo recorremos a Barreto:
Na língua inglesa, existe a possibilidade de ampliar o conceito de turismo histórico, para a expressão heritage based tourism, que deve ser traduzida como: ”turismo com base no legado cultural”, mas que pode ser simplificada para “turismo de tradição” embora tradição e herança cultural não seja exatamente a mesma coisa, O turismo com base no legado cultural é aquele que tem como principal atrativo o patrimônio cultural. (BARRETO, 2001, p. 29)
Para isso é necessário que os bens tombados ou não tombados possuam características que sejam relevantes para a história e cultura da localidade em que estão inseridos. Na cultura patrimonial material destacamos o patrimônio arquitetônico e peças de museus; já em relação à cultura de preservação do patrimônio imaterial podemos considerar a dança, a culinária, os hábitos nas vestimentas, a literatura, a medicina caseira, valores que, de um modo geral, não foram institucionalizados.
Assim fica claro que todo legado cultural institucionalizado, ou sem a noção de interpretação de patrimônio adequada, pode vir a perder suas características, fazendo com que a comunidade não o considere ou não se identifique com este bem. Essa não preocupação com a preservação dos bens materiais ou imateriais é prejudicial ao turismo cultural e à continuidade do legado cultural, uma vez que se coloca em risco a permanência desse legado. Novamente recorremos à Murta que nos mostra a importância da Interpretação do patrimônio:
A interpretação do patrimônio tem o cuidado e a sensibilidade, para que as diversas formas de manifestações, seja materiais ou imateriais, não seja transformadas em “espetáculo para turista” perdendo assim a referencia com a comunidade, com a historia, e a identidade cultural do lugar, pois, mais que informar, interpretar é revelar significados, é provocar emoções, é estimular a curiosidade, é entreter, é inspirar novas atitudes no visitante, é provar uma experiência inesquecível com qualidade. (MURTA, 2002 apud REJANE MIRA, ANO, p. 18,)

Desse modo, compreendemos que a manutenção da Cultura Popular de qualquer nação só é mantida e transmitida para as futuras gerações se a preocupação com a preservação e a interpretação do patrimônio estiver aliada às políticas públicas voltadas a favor do resgate e da revitalização dos bens. Concomitantemente a planejamentos bem elaborados, estas estratégias podem ser uma forma de assegurar a existência dos legados culturais em cada comunidade e, como consequência, estas comunidades terão sua memória coletiva preservada, como comenta Edith Brown Weiss:

As futuras gerações podem ser privadas de uma nova informação importante a respeito do valor de certos recursos naturais, em particular animais ou plantas, ou do funcionamento de sistemas políticos, sociais e econômicos, incluindo arquivos e registros históricos sobre línguas, trabalhos de arte, composições musicais, trabalhos literários, tesouros arquitetônicos e monumentos. (WEISS, 1998 p.28)

Logo, percebemos que a Interpretação do patrimônio aliada a estratégias eficientes garante que novos roteiros para desenvolvimento do turismo em determinadas localidades possibilite que a nação reconheça sua origem e sua formação antropológica, além de toda sua história e importância. Por meio destes bens, materiais e imateriais de nossa cultura popular, os legados culturais são transmitidos de geração para geração e são recriados constantemente pelas comunidades, contribuindo assim para preservar a identidade de grupos, estabelecer a diversidade cultural dos povos e da criatividade humana.

Há uma semelhança nos conceitos de Patrimônio imaterial e legado cultural, pois ambos têm suas raízes fincadas no campo da oralidade, das tradições e vivências dos povos. O significado de Legado Cultural, porém, é mais amplo, porque abrange todo patrimônio (material e imaterial) da cultura que herdamos do passado e que permanece, no decorrer do tempo, por meio de nossa memória coletiva. Já o conceito de Patrimônio Imaterial da Cultura restringe-se às tradições de um povo e é apresentado pelo Ministério da Cultura, que avalia:
Definido como o conjunto de práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas que as comunidades reconhecem como parte integrante de sua cultura. Uma de suas principais características é o fato de tradicionalmente ser transmitido de geração a geração, gerando sentimento de identidade e continuidade em grupos populacionais. São exemplos de patrimônio imaterial as festas e danças populares, lendas, músicas, costumes e tradições (MINISTÉRIO DA CULTURA, 2005)
Este acúmulo de culturas existentes permite que o legado permaneça rico em suas tradições (patrimônios imateriais) e possibilita a manutenção dos povos e dos seus costumes para reconhecimento da identidade do povo no presente e no futuro de toda a sociedade.
A transmissão deste legado cultural, no entanto, só pode ser feita quando há uma seleção consciente do que se deseja. É necessário estimular os povos para que mantenham e defendam sua cultura, e a eficácia desse processo ocorre quando se consegue que os povos atribuam aos seus legados valores de apreço porque, nem sempre, o que é tido como patrimônio num determinado contexto cultural, social ou histórico é digno de ser legado às futuras gerações. Este processo simbólico de definir o que é possível ser transmitido é que permitirá a identificação destes legados, como verifica Funari:
A Construção do patrimônio cultural é um ato que depende das concepções, que cada época tem a respeito do que, para quem, e porque preservar. A preservação resulta, por isso, da negociação possível, entre os diversos setores sociais, envolvendo cidadãos e poder público. O significado atribuído ao patrimônio, também se modifica, segundo as circunstancias de momento.(FUNARI, 2001, p. 16)
Partindo deste raciocínio, compreendemos que legado são todos os elementos que permitem traços, identidade de um determinado grupo e o que o diferencia dos demais. De acordo com Chauí o legado tem sua base fundamentada na memória individual e coletiva:
Memória é definida como a evocação do passado, e a sua atualização, conservando na lembrança o que se foi. Para além da memória individual, inserida na dimensão pessoal, há a memória, coletiva ou pessoal, registrada nos documentos, relatos e produtos de uma sociedade. (CHAUÍ, 1996, p. 125-128)
Percebe-se que as evoluções sociais, culturais e as transformações sofridas nas sociedades modernas e até primitivas por conta de uma série de acontecimentos históricos, fizeram com que os legados ou a memória coletiva, se tornassem transmissões culturais entre os seres, por meio de vínculos com o seu passado permitindo, assim, o resgate de nossa identidade.
À medida que a manutenção das características é repassada do passado para o futuro sem sofrer nenhuma interferência ou alteração, os valores culturais são mantidos. É por isso que é tão importante garantir a conservação destas marcas do nosso passado. Logo, a revitalização de patrimônios ou o resgate destes legados culturais, se bem realizados, permitem aguçar a memória coletiva e esta, segundo Barreto: “Desencadeia, o processo de identificação do cidadão com sua história e sua cultura.”
No entanto, a transformação do legado cultural em bens de consumo, sobretudo com a intervenção do turismo cultural implantado em algumas cidades não desenvolvidas para a atividade ou para a própria interpretação de seus patrimônios, passou a ser discutida e isso possibilitou o surgimento de leis e regimentos que garantissem a manutenção destes bens para assegurar a manutenção de povos e culturas.

A atividade turística, entretanto, apodera-se deste fator e desta nova motivação trazida pelo Turismo Cultural e transforma o legado cultural num produto a ser apresentado para o novo visitante em busca de cultura, enriquecimento e experiências diferentes. Essa busca trazida por uma nova demanda vem chamando a atenção para a revitalização de particularidades das culturas que nem sempre são percebidas e, nesta troca, a economia das localidades é beneficiada assim como a preservação dos produtos culturais. O que não podemos permitir é a banalização da cultura, pois, segundo Barreto: “O patrimônio deixa de ser valioso por sua significação, na história ou na identidade local, e passa a ser valioso porque pode ser vendido.”
* Texto e fotos: Ana Carla Nunes (festasdabahia@festasdabahia.com)
Revisão Geral: Beatriz Badim (biacampos@globo.com)
LEITURAS RECOMENDADAS:
AMADO, Jorge. Bahia de Todos os Santos: guia das ruas e dos mistérios da cidade de Salvador. São Paulo: Martins, 1945. p
ARANTES, Antônio Augusto. O que é Cultura Popular? São Paulo: Brasiliense, 2004.
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PEIXOTO, Afrânio. Breviário da Bahia. 3 ed. Rio de Janeiro: MEC, 1980. 305 p.
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SOUZA, Regina Celeste de Almeida (Org) Turismo Cultural: Novos Desafios. Salvador: UNIFACS 2007 238 p. il
WETHERELL, James. Brasil: apontamentos sobre a Bahia. Salvador: Banco da Bahia, [1972]. 149 p
Alguns estudiosos afirmam que a Revolução Industrial e a Segunda Guerra Mundial foram responsáveis pela destruição de diversos monumentos que faziam parte da história de determinados países. Por meio de afirmações desse tipo, é possível verificar que, desde o século passado, as sociedades e governos passaram a ter uma preocupação maior com o patrimônio que conceitualmente tratamos como um conjunto de bens de um determinado território. E, esta preocupação passou a ganhar força na Europa, porque geógrafos, ecologistas e biólogos perceberam que monumentos arquitetônicos milenares estavam ameaçados de deterioração pela quantidade de pessoas que visitavam seu interior.

Com isso, criou-se um interesse maior em preservar para saber interpretar o patrimônio das localidades, garantindo, assim, sua manutenção e continuidade por diversas gerações, a fim de que estes sejam considerados bens patrimoniais de uma nação, como analisa Pelegrinni:
Parece haver uma grande tendência a se considerarem dignos de preservação apenas artefatos (desde pequenos objetos até conjuntos representativos como uma cidade ou parte dela) de épocas passadas; “coisas velhas” como se diz. Mas no permanente processo cultural em que todos estamos inseridos é importante o registro tanto de facetas passadas, como de atuais. Integrantes do complexo sociocultural. Contendo um valor simbólico no contexto da sociedade em que ocorrem, os traços culturais devem ser tratados e registrados como bens patrimoniais. (2001, p. 95)
O patrimônio das Cidades, no entanto, foi dividido entre Natural e Cultural. Este último passou a ter conceitos mais amplos, na medida em que se foi desenvolvendo o conceito de Cultura.
O patrimônio cultural pode ser material (arquitetura, construções históricas, peças de museus, etc.) e imaterial. Por patrimônio imaterial consideram-se os legados culturais de uma sociedade: todos os hábitos, costumes, crenças, comportamentos, danças, folclores, rituais religiosos, de culinária e artesanato, por exemplo. Por meio desses legados culturais é que a história das nações pode ser contada e transmitida e, não sendo preservadas ou bem interpretadas essas heranças culturais, estas podem vir a perder-se em meio às evoluções sociais, culturais e econômicas que influem no crescimento e na administração das grandes cidades.
Para proteger o patrimônio destas ameaças são necessárias políticas públicas de preservação como, por exemplo, por meio de tombamentos - registro legal de determinado bem que passa a pertencer a um livro de tombo específico dos órgãos nacionais e internacionais responsáveis pela preservação (Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural - IPAC, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN, Organização das Nações Unidas para Educação, a Ciência e Cultura - UNESCO). Uma vez o bem passando por esse processo de tombamento, não poderá sofrer modificações, demolições ou reformas para manutenção de sua identidade e história nas diversas localidades.

Discutir e aprofundar-se em pesquisas voltada a preservação dos patrimônios materiais e imateriais faz-se necessário, sobretudo na Bahia, para que haja uma contribuição maior de todas as ciências sociais nas pesquisas voltadas à história, religiosidade e cultura, especialmente porque nossas crenças configuram grandes espetáculos apresentados aos visitantes por meio da atividade turística, ainda que, em contraposição a isso, seja um fato inegável a extinção de parte das Irmandades religiosas, por meio da qual percebe-se que muito da cultura popular se foi perdendo ao longo dos séculos.
Para que isso não ocorra é imprescindível que discussões e pesquisas aconteçam nas diversas instituições de ensino, mas que essa preocupação também seja dos órgãos públicos e privados que trabalham com a cultura e o turismo das localidades. É preciso que essas instituições envolvam-se nas questões relacionadas à preservação e permitam que aconteçam reflexões sobre a interpretação do patrimônio cultural, histórico e religioso.

Um ponto interessante a ser considerado é a questão da consciência efetiva de estudantes e professores das diversas áreas das Ciências Sociais que têm a possibilidade de imprimir novos olhares ao ambiente por meio de pesquisas, fazendo com que esse envolvimento com a cultura possibilite que o patrimônio material e imaterial das localidades seja mantido. Este olhar de perto, sem dúvida, assegura a preservação da história e da cultura das localidades e, sobretudo, permite que haja uma manutenção sem descaracterização dos legados culturais em prol da continuidade da memória dos povos e das comunidades. Novas pesquisas, real interesse e investimento das instituições públicas e privadas na preservação e manutenção do patrimônio material e imaterial seriam grandes incentivos para aqueles que desconhecem ou não dão o devido valor histórico e cultural ao patrimônio de suas cidades, estados e países.

*Texto e Fotos: Ana Carla Nunes (acnpereira@hotmail.com)
Revisão Textual: Beatriz Badim (biacampos@globo.com)
LEITURAS RECOMENDADAS
BARRETTO, Margarita. Turismo e legado cultural. Campinas: Papirus, 2000. 95.p
COELHO, Teixeira. O que é Indústria Cultural? 8 ed.. São Paulo: Brasiliense, 2003.
DELUQUI, Mônica. Cultura Brasileira e Bens Imateriais. n.8. 2007. Disponível em http://www.fatorbrasis.org/node/42 Acesso em 12/10/2007
PELLEGRINI FILHO, Américo. Ecologia, Cultura e Turismo. 2ed.. Campinas: Papirus, 2000.
RODRIGUES, Adyr B. Turismo e espaço rumo a um conhecimento transdiciplinar, São Paulo: Hucitec 1997. Apostila
Silva, Elsa Peralta da, Patrimônio e Identidade. Os desafios do turismo cultural, ICSP. UNIVERSIDADE DE LISBOA, 2005.
SILVA, Fernando Fernandes da, O Patrimônio Cultural de Humanidade como tema de Direito Internacional Público. São Paulo: Edusp, 2003. Apostila.
A educação possui uma das relações mais antigas e importantes com os homens. Sua formação passou por várias alterações no decorrer dos tempos. O pós-modernismo imprime uma característica peculiar ao método de ensino-aprendizagem ao transpôr as barreiras da sala de aula, dinamizando o processo educativo.
Diante do crescimento da globalização, as instituições de ensino estão em fase de transformação, utilizando-se de outros meios para transmitir as informações básicas e necessárias de cada disciplina para seus alunos.

Uma disciplina requer um corpo teórico para que possa ser ensinada. Desse ponto de vista, o turismo é uma atividade que está em crescimento no âmbito econômico e profissional, configurando-se como a atividade marcante do século XXI.
O Turismo Pedagógico representa a oportunidade de explorar pedagogicamente a relação homem-espaço nas mais diferentes perspectivas de análise do conhecimento humano (geográfico, físico, biológico, ecológico, entre outros) numa abordagem interativa e multidisciplinar. Essa atividade está em crescimento, observa-se que algumas instituições de ensino vêm adotando esta abordagem na integração de conteúdos curriculares em seus projetos pedagógicos. Diante desse novo recurso, com caráter inovado e rico no processo de transmissão do conhecimento socialmente adquirido, observa-se que pode ser aplicado a qualquer grau de escolarização.
Sua eficácia está comprovada, uma vez que os alunos aprendem muito mais e compartilham com colegas o aprendizado e experiência. Segundo pesquisa publicada na Revista Ensino Superior (2003) verifica-se que:
1) Os estudantes desejam planos de estudos que tenham aplicação prática em seu trabalho, com conteúdos que contribuam para seu êxito profissional. Em relação aos professores, desejam aqueles que realmente estejam atuando e não aplicando teorias ultrapassadas;
2) Desejam uma educação eficiente e aprender o que necessitam aprender;
3) Desejam uma estrutura de ensino que possa maximizar a aprendizagem e não planos curriculares adaptados.

Enfim, o turismo pedagógico contribui para o melhor desempenho dos alunos, uma vez que propicia a vivência e o aprendizado sobre o mercado que está inserido e facilita que se tornem profissionais conscientes e atentos para a realidade atual.
Tal prática permite a interação com o meio, absorção dos conhecimentos de forma ampla, interação com outros profissionais, professores e colegas assumindo um papel importante na formação profissional.

Sua importância inquestionável é reforçada ao promover um confronto entre a teoria passada em sala de aula e o que realmente está acontecendo na realidade, dando oportunidade ao aluno de questionar, buscar alternativas e avaliar.
Nela o aluno é muito mais que um mero espectador, é alguém que faz parte do contexto, podendo propor mudanças para tal realidade.
E, é essa visão que permite à ele tomar consciência da profissão escolhida.
Em suma, o papel da escola como simples transmissora de conhecimentos, deve extrapolar-se, direcionando a prática real na educação global do aluno. Dentro desse contexto o turismo é um elemento de fundamental importância, tendo no turismo pedagógico subsídios para dinamizar o processo de ensino-aprendizagem em todos os níveis de escolaridade.
Esse nicho de mercado encontra-se em evidência, ao passo que se verifica uma quantidade considerável de profissionais, tanto das instituições de ensino quanto das agências de viagens em migrarem para essa atividade sem um estudo e qualificação necessária para atuarem nesse segmento.
“Se mudança é apenas outra palavra para aprendizado, então, as teorias de aprendizagem deveriam ser também teorias de mudança” (HANDY apud TRIGO 1998).
Texto: Adriana Melo (dricamelo13@gmail.com)
Fotos: Ana Carla Nunes (festasdabahia@festasdabahia.com)
Revisão textual: Elenise Evaristo (niseevaristo@yahoo.com.br)
LEITURAS RECOMENDADAS:
ANSARAH, Marília Gomes dos Reis (organizadora).Turismo: como aprender, como ensinar2. São Paulo: Senac, 2003.
CALIGHER, Sandra Bianca. Turismo Pedagógico. São Paulo,1998. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Turismo) – Faculdade Ibero-Americana,1998.
CAMPOS, Luiz Cláudio; GONÇALVES, Maria Helena. Introdução a turismo e hotelaria. Rio de Janeiro: Senac Nacional,1998.
LAGE, Beatriz Helena Gelas; MILONE, Paulo César (organizadores). Turismo: teoria e prática. São Paulo : Atlas, 2000.p.71-79.
SEVERINO, Antônio Joaquim. Prefácio. In: GADOTTI, Moacir. História das idéias pedagógicas. São Paulo : Ática, 1995.p.11.
TRIGO, Luiz Gonzaga Godoi. A sociedade pós-industrial e o profissional em turismo. 4 ed. Campinas, SP: Papirus, 1998.
_________________. (organizador). Turismo: como aprender, como ensinar 1. São Paulo: Senac,2003.
Boa parte das festas do calendário baiano, principalmente as de origem católica, foi trazida pelo colonizador português, ou seja, chegaram com a colonização. Os lusitanos também trouxeram o entrudo, festa de rua que deu origem ao Carnaval de Salvador. Com os negros africanos, vieram o culto ancestral dos orixás e as festas dos terreiros de candomblé que, a depender da nação (Ketu, Gegê ou Angola), possuem seu calendário próprio de celebrações. O samba-de-roda, a capoeira e o maculelê, duas espécies de dança-luta, também se incorporaram às festas populares como contribuição dos negros escravizados. Os índios já promoviam as festas de caboclo que, com o passar do tempo, misturaram-se às homenagens aos deuses africanos. (CORREIO DA BAHIA,2006,)

No entanto, esta miscigenação cultural desperta um olhar diferenciado do visitante a cerca do nosso comportamento. Eles acreditam que esta reunião de sagrados e profanos dá um caráter único às celebrações e isso justifica o número de turistas que recebemos no carnaval, na Lavagem do Bonfim, na Festa de Iemanjá, uma vez que estes cultos ocorrem em períodos favoráveis para o turismo no Estado.

O que de fato ocorre é o misticismo que existe no Estado e estes predicados que foram atribuídos aos festejos e que transitam pelo campo do exótico, do mistério resultando nas festas de rua feitas para o povo são elementos que permitem o reconhecimento de nossas festas como atrativos turísticos que movimentam a economia do Estado, e permitem que a Bahia ocupe destaque e seja conhecido como “Terra de Magia”, de povo alegre, como define Jorge Amado:
Roma Negra – já disseram dela, Mãe das Cidades do Brasil, portuguesa e africana, cheia de histórias lendárias, maternal e valorosa. Nela se objetiva como na lenda de Iemanjá, a deusa negra dos mares, o complexo de Édipo. Os baianos a amam como mãe e amante, numa ternura entre filial e sensual. Aqui estão as grandes igrejas católicas, as basílicas, e também os grandes terreiros de candomblé. (1981, p. 33)

O que se sabe é que muitas são as festas populares da Bahia: festas religiosas católicas, negras ou misturadas, festas de ruas e festas patrióticas. Todas elas possuem um caráter diferenciado e uma experiência única para quem as vivencia. Geraldo Leal (2000, p. 19) faz uma breve analise sobre nossos festejos: “Os índios já tinham sua cultura própria, os negros nos legaram diversas modalidades rítmicas, e religiosas. A criatividade permitiu o desenvolvimento das nossas festas populares”.

Kátia Matoso (Matoso apud Leal, 2000) retrata o aspecto lúdico das festas: “Tudo era pretexto para as festas na Bahia, sobretudo em lugares abertos e na rua”.
No entanto, uma análise do povo e dos seus costumes é feita por Pierre Verger:
“Poucas cidades pode haver tão originalmente povoada como a Bahia. Se não soubesse que ela fica no Brasil, poder-se-ia sem muita imaginação tomá-la por uma capital africana, residência do poderoso príncipe negro, na qual passa inteiramente despercebida uma população de forasteiros brancos puros.” (VERGER, 1981, p. 145)
O caráter religioso sempre permeou nossos festejos e, com isso, as irmandades foram ocupando espaços de destaque, já que era dada a elas a responsabilidade de organizar as festas e a própria comunidade no qual estivesse inserida. Wethereel define estas Instituições:
Existiam diversas irmandades, associações religiosas cujos membros se acham incumbidos de cuidar dos pobres, algumas dessas irmandades possuem importantes propriedades e empregam os lucros que produzem na ajuda a irmãos mais pobres. Elas incluem pessoas de todas as classes sociais. Em suas procissões como em uma igreja própria, usam uma vestimenta especial ou um uniforme que consiste em geral numa capa de sarja cinza ou branca com uma cruz bordada num dos ombros. (WETHEREEL, 1982, p. 77)

No entanto, uma abordagem mais abrangente acerca de sua importância para a sociedade da época é feita por Sebastião Weber Costa:
As Irmandades tiveram desde as suas origens, um sentido social. Formadas de expressão interetnica, com obrigações de colaboração mútua entre os seus membros.Tudo isso seria para fins múltiplos: desde a compra de alforrias, festejos, pagamentos de Missas, caridade, vestuário, até a possibilidade de um funeral decente. (COSTA, 2002 p. 9)

Luz faz uma consideração mais específica acerca da importância destes grupos religiosos: A importância das irmandades na história do Brasil, especificamente no que se refere ao nosso legado civilizatório africano, concerne não somente as correntes de libertação da escravidão, constituída pela administração e acúmulo de recursos capazes de obterem cartas de alforria, mas sobretudo da sua luta de ocupação de um espaço social urbano capaz de garantir a coesão grupal necessária a afirmação existencial., a constituição da identidade, dos valores culturais negros em nossa terra. (2006, p. 343)

O interesse da Monarquia e da Igreja Católica nas Irmandades negras era evidente. Acreditava-se que elas permitiriam uma manipulação maior da coroa portuguesa por meio da fé e da religiosidade deste grupo social como destaca Luz:
Para padres com a sagacidade de Antonio Vieira, as irmandades negras poderiam ser instituições que no Brasil poderiam fornecer uma massa de manobra capaz de aumentar o poder eclesiástico frente coroa, ele mesmo foi um dos incentivadores da política capaz de promover a aproximação dos negros com a igreja, autorizando-os a usar colares de conta em homenagem ao Rosário. (2006, p. 346)

Assim, no Brasil, aproveita-se o espaço das irmandades para reconstrução da identidade e da cultura de origem dos negros favorecendo inclusive as relações sociais institucionais africanas. Além disso, era um lugar de coesão grupal, de tomadas de decisão acerca da compra de cartas de alforria e tudo que diz respeito aos direitos dos negros nas sociedades. Uma análise destas instituições novamente é feita por Luz quando aborda que:
Entre o vaivém do chicote do feitor, os padres procuravam atuar no poder do estado do regime escravista, para preservá-lo. Mas desse contexto, soube o negr aproveitar para a reconstrução do seu mundo existencial e social, expandindo os valores civilizatorios africanos ao âmbito das sociedades urbanas nascentes do Brasil (2006, p. 347).
Desse modo, as irmandades quando se uniram ao catolicismo deram origem ao germe da religiosidade brasileira, adaptando a cultura negra à nova realidade que era imposta aos negros, uma vez que essa maneira era a única com a qual poderiam assegurar a manutenção de suas tradições. Estas, no entanto, eram também responsáveis pela manutenção dos festejos e das tradições e até hoje representam um papel de destaque nas celebrações religiosas de nosso Estado.

Voltando ao presente e abordando o calendário de Festas Populares da Bahia, percebe-se que este se trata de um dos mais ricos do Brasil pela mistura entre Santos, Orixás e Caboclos, junto às festas cívicas, a ensaios de blocos e artistas que fazem o carnaval. Esta fusão étnica é responsável por atrair pessoas que, consequentemente, geram renda ao Estado e emprego aos cidadãos. Este cenário é analisado por Edilece Couto:
Não podemos pensar as manifestações culturais, e dentre elas as festas, como imóveis, imutáveis e fadadas ao desaparecimento em função das mudanças da sociedade. Na verdade, as festividades têm um período fixo para que sejam realizadas, mas não são completamente dissociadas do cotidiano, acompanham o desenvolvimento da vida em sociedade. Alguns elementos desaparecem e outros são incorporados. Temos uma tendência a acreditar que a cultura capitalista, principalmente o comércio em torno das festas, leva à descaracterização, mas não acredito nisto. Com o tempo, algumas características são ressaltadas e outras abandonadas. É impossível pensar que as festas teriam que se manter iguais às que eram realizadas há mais de 500 anos. (Correio da Bahia, 2006, p. 20).
Percebe-se que nestes quinhentos anos de Brasil os estudiosos passaram a tratar Folclore e Cultura Popular de maneira equivalente. Não se pode mensurar o quanto isso reflete na cultura dos lugares, sobretudo em alguns que possuem o turismo como uma atividade econômica primordial. Esta fragilidade da cultura popular estimulou o IPHAN a tomar medidas para proteger o Patrimônio Imaterial baiano. Uma delas foi criar regimentos que tombassem as manifestações da nossa cultura popular, assegurando sua manutenção como valor de identidade. Essa valorização tem sido muito positiva e vem provocando discussões ainda mais acirradas acerca da importância da cultura popular e da preservação destes monumentos.

O crescimento populacional, o desinteresse de membros das comunidades em perpetuar estas tradições e as evoluções sociais foram fatores que permitiram a descaracterização ou até em casos mais extremos, a extinção de nossas festas. A evolução das sociedades permitiu que classes privilegiadas e com maior poder aquisitivo ditassem o que é ou não interessante festejar. Com isso, a cultura popular das classes mais simples se perdeu e temos como exemplos principais dessa perda em Salvador a Festa de Nossa Senhora do Ó em Paripe, o Dois de Julho nas Ruas da Península Itapagipana, Cortejos dos Confetes e Dança das Vassouras no carnaval, a Festa Profana de Nossa Senhora da Penha na Ribeira. Estas são algumas manifestações que não resistiram a fatores como os que acima foram mencionados e desapareceram do nosso calendário de Festas Populares.

O que não se pode negar é que as Festas dão oportunidades do tradicional ser repetido de maneira lúdica e, assim, possibilitar que vivencias e modos de vida perpetuem-se. Cabe à nossa sociedade não deixar de atribuir valores de identidade e resgatar a importância do significado da cultura popular para as novas gerações, já que somos todos responsáveis pelo o que pode ser deixado como legado no futuro. Paralelo a isso é imprescindível exigir que o poder público (que atua nestes eventos desde os remotos períodos coloniais) não deixe de investir na memória oral, incentivando manifestações desse tipo por meio de projetos e de iniciativas que garantam sua permanência. Mas é importante enfatizar que esse incentivo não deve acontecer visando qualquer tipo de propaganda política ou benefícios ao governo, pois, dessa forma, os festejos perderiam suas características originais e ganhariam outra conjuntura dentro do contexto cultural de nossas sociedades.
Texto e Fotos: Ana Carla Nunes
Revisão Textual: Beatriz Badim (biacampos@globo.com)
LEITURA RECOMENDADA:
ALBUQUERQUE, Wlamyra R. de; FRAGA FILHO, Walter. Uma história do negro no Brasil. Salvador: Centro de Estudos Afro-Orientais; Brasília: Fundação Cultural Palmares, 2006. 318 p.
AMADO, Jorge. Bahia de Todos os Santos: guia das ruas e dos mistérios da cidade de Salvador. São Paulo: Martins, 1945. p
LEAL, Geraldo da Costa. Salvador dos contos, cantos e encantos. Salvador: Gráfica Santa Helena, 2000.
PAIM, Zilda. Relicário Popular. Salvador: Secretaria Cultura e Turismo, 1999. 274
TAVARES, Luis Henrique Dias. História da Bahia. Salvador: EDUFBA, 2001
VERGER, Pierre. Notícias da Bahia: 1850. Salvador: Corrupio, 1981. 237 p. (Baianada, 1).
VIANA HILDEGARDES. Calendário de festas populares da Cidade do Salvador. Salvador: EGBA, 1983. 43 p. Publicação da Prefeitura Municipal do Salvador.
VIANNA, Hildegardes. Festas de Santos e Santos festejados. Bahia: Progresso, 1960.
WETHERELL, James. Brasil: apontamentos sobre a Bahia. Salvador: Banco da Bahia, [1972]. 149 p
iquezas porque se baseia nas diversas heranças culturais que adquirimos desde o período de nossa colonização. Em palavras de Luis da Câmara Cascudo o Folclore e a Cultura Popular se entrelaçam quando o autor define que: “O folclore é a cultura do popular tornada normativa pela tradição”. Compreender esta Cultura popular é uma maneira de manter viva as raízes de nosso povo, logo Cascudo afirma que:
Nem tudo o que é popular é folclórico. Para um costume ser considerado folclore é preciso ter origem anônima, ou seja, não se saber ao certo quem o criou. Deve ser aceito e praticado por um grande número de indivíduos. Também precisa resistir ao tempo e ser passado de geração
Alguns pesquisadores percebem diferenças entre Folclore e Cultura popular. No entanto, Carlos Rodrigues Brandão comenta:
Eles não são iguais, e sob certos aspectos, podem ser ate opostos. Não são ouças as pessoas que acreditam que os dois nomes servem a mesma realidade, apenas folclore é o nome mais “conservador” daquilo de que cultura popular é o nome mais progressista.
Percebemos, assim,
que a Cultura Popular (ou patrimônio imaterial da cultura) existente nas festas e no folclore, corre o risco de ser fragmentada, porque nem sempre o que é identificado ou escolhido como elemento constitutivo das tradições é recriado. Isso ocorre porque os moldes dessa reprodução são ditados pelas elites cultas, e esta nova roupagem é digerida e devolvida aos cidadãos transformando nossas manifestações culturais em produções empresariais, sobretudo quando estas estão ligadas à atividade turística.
A cultura popular torna-se frágil diante da evolução social e da interferência do capitalismo neste processo de reconstituição dos valores. É para isso que Antonio Augusto Arantes chama a atenção quando cita:
Por outro lado, essas maneiras de pensar a cultura pressupõem ou que ela seja passível de cristalização, permanecendo imutável no tempo a despeito das mudanças que ocorrem na sociedade, ou, quando, muito que ela esteja em eterno “desaparecimento”. Como sugerem os nossos exemplos, cultura é um processo dinâmico; transformações (positivas) ocorrem, mesmo quando intencionalmente se via congelar o tradicional, para impedir a sua “deteriorização”. É possível preservar os objetos, os gestos, as palavras, os movimentos, as características plásticas exteriores, mas não se consegue evitar a mudança de significado que ocorre no momento em que se altera o contexto em que os eventos culturais são produzidos.
O que não se pode negar é a fragilidade do Folclore e da Cultura popular diante dos processos de evolução sociais. O que se propõe é que a valorização do folclore e o reconhecimento da importância das manifestações
populares sejam re sgatados e mantidos sempre, com o máximo de originalidade já que eles formam nosso repertório cultural e estabelecem a continuaçãode nossa memória. Além disso, Folclore e Cultura popular são os dois pilares responsáveis por ligar o passado, o presente e o futuro por meio de informações e comportamentos de valores culturais que nos diz quem somos e, possivelmente, assegurar o desenvolvimento das sociedades mais rudimentares por meio da preservação dos seus saberes e fazeres.
A manutenção das diversas culturas ao longo do tempo permite uma reprodução coletivizada e u
ma maior compreensão a respeito dos povos e nações. As diferenças étnicas, culturais e sociais tornam-se menores diante da memória oral contida no domínio público existente no Folclore, nas festas e na Cultura Popular. Entende aqui por Cultura popular a manifestação das classes subalternas, de caráter ingênuo e não dominante que aparece com o a única maneira de diminuir as diferenças sociais e o preconceito que existe entre cultura erudita e popular.
Seu desaparecimento apaga uma parte da história de povos, por este motivo é que não devemos tratá-la como um elemento pitoresco, mas como um elemento que deve ser levado a sério, sem separações ou pré-conceitos, porque este é representado por meio da memória coletiva como enfatiza Barreto:
A
memória é um elemento essencial do que se costuma chamar identidade, individual ou coletiva, cuja a busca é uma das atividades fundamentais dos indivíduos e das sociedades de hoje, na febre e na angústia.
*Texto e Fotos Ana Carla Nunes
Revisão de texto: Beatriz Badim de Campos (biacampos@globo.com)
LEITURAS RECOMENDADAS:
BARRETTO, Margarita. Turismo e legado cultural. Campinas: Papirus, 2000. 95.p
BRANDAO, Carlos. O que é Folclore?. São Paulo: Brasiliense, 1981
CARNEIRO, Edson. Dinâmica do Folclore. São Paulo, Civilização Brasileira, 1965, 188p
CASCUDO, Luis da Câmara. Dicionário do folclore brasileiro: A-I. 3 ed. Brasília: INL, 1972. vol. 1 . (Dicionários especializados, 3).
ural vem sendo discutido, por permitir mudanças nas motivações das viagens e no olhar do visitante em relação aos roteiros. Esse segmento consolidou-se no Brasil por apresentar condições favoráveis a sua prática.De acordo com o Ministério do Turismo (2008), o turismo cultural ocupa o terceiro lugar nas preferências dos visitantes no Brasil, perdendo apenas para o Ecoturismo e o turismo de aventuras.
Voltando na história percebe-se que esta busca pelo conhecimento, no entanto, já aconteceu em outro momento da humanidade, mais precisamente no século XVI e na própria formação social de nossas civilizações. Magnavita (2007) explica que: No Século XVI começa o incentivo a viagens particulares – não oficiais. Escolas passaram a organizar viagens para seus alunos, acompanhados de um professor, como forma de complementação de estudos. Não se pode falar propriamente em turismo, mas, sim, em tours, viagens de ida e volta, para alunos de classes privilegiadas, onde só participavam homens. Como não trabalhavam os jovens aristocratas, viajavam quando queriam e podiam. Em geral, tinham a duração aproximada de três anos.
A busca cultural e a troca de valo
res sempre foram fatores que determinaram as viagens nos séculos passados, sobretudo no século XVII, e isso foi tornando-se um hábito das classes privilegiadas da Europa, até os dias atuais. Não se pode negar a importância desse período para firmação do Turismo Cultural na Europa, onde as viagens eram feitas pela necessidade de autoafirmação social ou na busca por conhecimento, a cerca dos roteiros que permitissem maior contato com a cultura e história das civilizações.Atualmente no Brasil, sobretudo nas cidades históricas, o turismo cultural utiliza da educação patrimonial para se desenvolver, possibilitando a preservação do patrimônio material e imaterial dos espaços a serem visitados, contribuindo assim para que um novo olhar de preservação permita que novas gerações conheçam o passado das comunidades. Aliado a isso propõe que políticas de interpretação do Patrimônio sejam
aplicadas com eficiência nas localidades, onde é possível praticar o Turismo Cultural, assegurando que a preservação aconteça por parte dos visitantes e moradores:(...) antes de ensinar uma comunidade a preservar (o patrimônio) é necessário dar-lhe condições dignas de vida. Ou seja, de nada valerá tombar e preservar um patrimônio sem antes conscientizar a comunidade local da relevância de se conservar aquele bem em prol das gerações futuras. Um dos propósitos da política do patrimônio cultural é não apenas a apropriação de bens culturais em nome da “nação” (...), mas a devolução desses bens aos seus autênticos proprietários: as comunidades locais.
Assim, a educação patrimonial seria uma alternativa eficaz para preservação dos bens, com o desenvolvimento do turismo Cultural nas cidades brasileiras, Este cuidado, e esta
reunião de idéias aliadas a um planejamento nas diversas camadas (setores públicos e privados), podem vir a desenvolver um olhar de preservação ainda maior tanto para os visitantes quanto para a comunidade a ser visitada, como afirma Reijane Mira:(...) A atividade turística tem sido responsável, especialmente através do turismo cultural e do ecoturismo pela criação de uma mentalidade preservacionista do patrimônio. Esse papel, no entanto, tem sido bem recente, já que o turismo foi também o responsável pela degradação de muitos destinos.
Esta noção de preservação tem garantido que nos últimos anos a educação patrimonial venha obtendo visibilidade em diversos setores. Com isso a atividade turística no Brasil que, em outrora, era comercializada apenas sob o aspecto da valorização dos patrimônios naturais, hoje recebe a preocupação necessária dos órgãos responsáveis por cultura, patrimônio e turismo.
Esta junção de turismo e cultura, dá a possibilidade de mudar os roteiros de visitação e, de certa forma, o perfil de visitantes, que se deslocam em busca de novas motivações. Aliás, este diferencial, segundo a Embratur, define a atividade cultural como “da motivação do turista em deslocar-se, especialmente com a final
idade de vivenciar aspectos e situações, que podem ser particularidades da cultura.” Entretanto o conceito trazido pelo Ministério do Turismo é amplo e determina que:Turismo Cultural compreende as atividades turísticas relacionadas à vivência do conjunto de elementos significativos do patrimônio histórico e cultural e dos eventos culturais, valorizando e promovendo os bens materiais e imateriais da cultura
Esta relação trazida pelo turismo cultural permite que os visitantes desloquem-se com a motivação de enriquecer-se culturalmente, seja através da história dos lugares ou da contemplação e significado dos patrimônios ou dos festejos dessas localidades. No Brasil, por exemplo, temos como roteiro cultural a cidade de Ouro Preto (MG), que foi reconhecida como patrimônio cultural da humanidade pela importância e imponência do seu acervo arquitetônico e artístico barroco, com destaque para as criações de Aleijadinho e Mestre Athaíde.

A troca de conhecimento que estas viagens permitem está novamente associada à relação entre turismo e cultura, onde quem sai lucrando é a comunidade receptora, que passa a ser um atrativo turístico; já que algumas políticas públicas de planejamento e investimento começam a ser direcionadas para o espaço. O mesmo tem sua memória (geralmente quinhentista, e formada por três etnias que compuseram nossos legados culturais) devidamente preservadas e repassadas e o melhor, ela começa a ter a noção exata de sustentabilidade através da prática do turismo, possibilitando a geração de renda e emprego, que começam a acontecer com o aparecimento destes visitantes.
* Texto e Fotos de Ana Carla Nunes (acnpereira@hotmail.com)
Revisão Textual: Elenise Evaristo (www.riquezasdointerior.blogspot.com)
LEITURAS RECOMENDADAS:
BARRETTO, Margarita. Turismo e legado cultural. Campinas: Papirus, 2000
DELUQUI, Mônica. Cultura Brasileira e Bens Imateriais. n.8. 2007. Disponível em http://www.fatorbrasis.org/node/42 Acesso em 12/10/2007
PELLEGRINI FILHO, Américo. Ecologia, Cultura e Turismo. 2ed.. Campinas: Papirus, 2000
TURISMO cultural novos viajantes novas descobertas Brian Goode) .Apostila
TURISMO. Bahia Analise & Dados. Salvador: SEI. Disponível em: http://wi.sei.ba.gov.br/publicacoes/publicacoes_sei/bahia_analise/analise_dados/pdf/turismo/pag_169.pdf .Acesso 12/11/2007


