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APONTAMENTOS SOBRE O FOLCLORE

O folclore brasileiro é cheio de riquezas porque se baseia nas diversas heranças culturais que adquirimos desde o período de nossa colonização. Em palavras de Luis da Câmara Cascudo o Folclore e a Cultura Popular se entrelaçam quando o autor define que: “O folclore é a cultura do popular tornada normativa pela tradição”. Compreender esta Cultura popular é uma maneira de manter viva as raízes de nosso povo, logo Cascudo afirma que:


Nem tudo o que é popular é folclórico. Para um costume ser considerado folclore é preciso ter origem anônima, ou seja, não se saber ao certo quem o criou. Deve ser aceito e praticado por um grande número de indivíduos. Também precisa resistir ao tempo e ser passado de geração em geração. A transmissão? De boca em boca. Ao pé do fogo, na beira do fogão, nos encontros sociais, na missa, enfim, no dia-a-dia do nosso país.

Alguns pesquisadores percebem diferenças entre Folclore e Cultura popular. No entanto, Carlos Rodrigues Brandão comenta:

Eles não são iguais, e sob certos aspectos, podem ser ate opostos. Não são ouças as pessoas que acreditam que os dois nomes servem a mesma realidade, apenas folclore é o nome mais “conservador” daquilo de que cultura popular é o nome mais progressista.


Percebemos, assim, que a Cultura Popular (ou patrimônio imaterial da cultura) existente nas festas e no folclore, corre o risco de ser fragmentada, porque nem sempre o que é identificado ou escolhido como elemento constitutivo das tradições é recriado. Isso ocorre porque os moldes dessa reprodução são ditados pelas elites cultas, e esta nova roupagem é digerida e devolvida aos cidadãos transformando nossas manifestações culturais em produções empresariais, sobretudo quando estas estão ligadas à atividade turística.

A cultura popular torna-se frágil diante da evolução social e da interferência do capitalismo neste processo de reconstituição dos valores. É para isso que Antonio Augusto Arantes chama a atenção quando cita:

Por outro lado, essas maneiras de pensar a cultura pressupõem ou que ela seja passível de cristalização, permanecendo imutável no tempo a despeito das mudanças que ocorrem na sociedade, ou, quando, muito que ela esteja em eterno “desaparecimento”. Como sugerem os nossos exemplos, cultura é um processo dinâmico; transformações (positivas) ocorrem, mesmo quando intencionalmente se via congelar o tradicional, para impedir a sua “deteriorização”. É possível preservar os objetos, os gestos, as palavras, os movimentos, as características plásticas exteriores, mas não se consegue evitar a mudança de significado que ocorre no momento em que se altera o contexto em que os eventos culturais são produzidos.


O que não se pode negar é a fragilidade do Folclore e da Cultura popular diante dos processos de evolução sociais. O que se propõe é que a valorização do folclore e o reconhecimento da importância das manifestações populares sejam re sgatados e mantidos sempre, com o máximo de originalidade já que eles formam nosso repertório cultural e estabelecem a continuaçãode nossa memória. Além disso, Folclore e Cultura popular são os dois pilares responsáveis por ligar o passado, o presente e o futuro por meio de informações e comportamentos de valores culturais que nos diz quem somos e, possivelmente, assegurar o desenvolvimento das sociedades mais rudimentares por meio da preservação dos seus saberes e fazeres.

A manutenção das diversas culturas ao longo do tempo permite uma reprodução coletivizada e uma maior compreensão a respeito dos povos e nações. As diferenças étnicas, culturais e sociais tornam-se menores diante da memória oral contida no domínio público existente no Folclore, nas festas e na Cultura Popular. Entende aqui por Cultura popular a manifestação das classes subalternas, de caráter ingênuo e não dominante que aparece com o a única maneira de diminuir as diferenças sociais e o preconceito que existe entre cultura erudita e popular.

Seu desaparecimento apaga uma parte da história de povos, por este motivo é que não devemos tratá-la como um elemento pitoresco, mas como um elemento que deve ser levado a sério, sem separações ou pré-conceitos, porque este é representado por meio da memória coletiva como enfatiza Barreto:

A memória é um elemento essencial do que se costuma chamar identidade, individual ou coletiva, cuja a busca é uma das atividades fundamentais dos indivíduos e das sociedades de hoje, na febre e na angústia.





*Texto e Fotos Ana Carla Nunes
Revisão de texto: Beatriz Badim de Campos (biacampos@globo.com)

LEITURAS RECOMENDADAS:

BARRETTO, Margarita. Turismo e legado cultural. Campinas: Papirus, 2000. 95.p

BRANDAO, Carlos. O que é Folclore?. São Paulo: Brasiliense, 1981

CARNEIRO, Edson. Dinâmica do Folclore. São Paulo, Civilização Brasileira, 1965, 188p

CASCUDO, Luis da Câmara. Dicionário do folclore brasileiro: A-I. 3 ed. Brasília: INL, 1972. vol. 1 . (Dicionários especializados, 3).

5 comentários:

Parabéns por mais esta matéria tão importante!

Seus textos são de grande valia para sabermos cada vez mais sobre a nossa Bahia, costumes, festas...

 

Oi Lu,

Vc tb enquanto turismlóga tem feito um trabalho louvável sobre as fontes da Cidade.

Uma causa tão nobre e valida, que sem duvidas, poucos profissionais da area, se interessam.
Um beijo e vamos á luta!

Ana

 

Oi Ana. Obrigada por acompanhar o Ellistur. Estou muito feliz em conhecer também o trabalho desenvolvido em seu blog. É de profissionais assim que precisamos no turismo. Parabéns.

 

Parabéns Ana Carla,

O texto está bem informativo... e adorei... Outra coisa, seu textos são bem visitados lá no blog... parabéns pelo talento.

beijos

 

Oi Ana, adorei este texto. Estou escrevendo sobre os folguedos e caiu como uma luva estes conceitos. beijos

Claudio

 

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